Fala, Zé! Antes de mais nada, eu te peço desculpas pela ausência de textos, nessa reta final da temporada – tão tradicionais e recorrentes aqui no nosso Blog. Ocorre que eu me vi obrigado a “dar um tempo”, pois os jogos do Botafogo estavam me fazendo mal de verdade, influenciando ainda mais na minha conduta pessoal do dia a dia. Era um martírio ver cada rodada daquele time sem alma, mercenário e sem vergonha na cara. O que dirá escrever sobre ele: me corroía por dentro. Eu estava ruminando toda aquela melancolia e revolta que víamos em campo, repetindo termos e ideias com mais raiva que reflexão. E, pela primeira vez em 13 anos atuando forte na internet em prol do Fogão, eu preferi me afastar. Senti que estava regurgitando e me enojando com aquela gororoba insossa que nos empurraram goela abaixo.

Agora confesso: nos meus 30 anos acompanhando o Botafogo de perto, ininterruptamente, eu nunca tinha visto um time tão incapaz e claramente sem condições mínimas quanto este elenco pífio, pensado pela diretoria pra 2019. Como conseguiram essa proeza? Tivemos uma temporada desastrosa, Zé, que fico na dúvida se é pra esquecer ou lembrar, pra ela nunca mais se repetir. Ficamos em oitavo lugar no pior Campeonato Estadual de nossa história (não nos classificamos pra nenhuma semifinal), fomos eliminados da Copa do Brasil por uma equipe da série C do Brasil, saímos da Sulamericana com o adversário (o galim de Minas) jogando em ritmo de treino em pleno Nilton Santos e só não fomos rebaixados por conta de um primeiro turno sobrenatural e inexplicável em pontos e pela nota de corte da degola ter baixado surpreendentemente pra 36 pontos (tinha gente que queria descer muito mais que nós – sorte pura). Aliás, a direção já entrou em 2019 ciente do colapso financeiro iminente, mas seguiu empurrando a situação com a barriga e esperando o salvamento do além, vendo o circo pegar fogo lentamente e sem mexer a bunda da cadeira de forma efetiva.

O que esses caras fizeram conosco é um crime. Enfim, dizer que essa não foi a pior temporada da nossa linha do tempo, apenas porque não fomos rebaixados, é analisar a obra somente depois dela completa e balizar a opinião pelo resultado. O todo deste ano foi catastrófico, sem precedentes em General Severiano, tanto que chegamos ao fundo do poço administrativamente, tendo que o Clube recorrer a um outro modelo de gestão. Não há mais o que piorar, Zé. Agora estamos aqui, de pires na mão, esperando um salvamento de terceiros em cifras, porque as negligências, desvios e despreparos foram tão grandes que hoje a nossa marca não vale sequer 1 real, mas tem 1 bilhão em dívidas. Não caímos por um milagre circunstancial e tenho certeza que os deuses do futebol dessa vez interferiram diretamente a nosso favor. O Botafogo deve mudar, precisa mudar e que essa turma pautada pelo ego fique agora se estapeando por controle da sauna e troca de ladrilho de piscina. Chega!

Vemos agora uma tentativa de desmanche deste elenco montado em papel de pão e o pior: vejo alguns Botafoguenses “viúvas” de algumas saídas. Como assim, Zé? Que saiam TODOS, sem exceção. Tudo o que diminuir as nossas chances de lembrar de 2019, merece e deve ser trocado. Se me oferecessem mudar o Botafogo de Futebol e Regatas inteiro, no escuro e de porteira fechada, eu toparia sem pestanejar. Joga fora elenco, profissionais diretos e indiretos, diretoria completa… Eu assinaria esse descarte de olho fechado. Não podemos ter medo do novo. “Ah! Mas pode vir coisa pior, Zé”, OK! Eu topo! Me dê ao menos a chance de xingar nomes novos, porque xingar os mesmos de sempre está desgastante demais.

Não esqueçamos jamais, Zé, o quão foi penoso e dolorido sentar pra ver cada partida esse ano, com um time que nunca atacava e sempre atuava de forma acovardada, tocando pro lado pra passar o tempo e ao menos garantir um empate. Vários fatores se somaram: ruindade efetiva das peças, lesões, deriva do departamento de futebol, AUSÊNCIA DE SALÁRIOS. Lembre-se que tivemos um desempenho de time pequeno em 2019 e, pela primeira vez em minha caminhada, vi o Botafogo perder mais que ganhar (28-22). Inacreditável e inaceitável. Não fosse a torcida e sua paixão de #NinguémAmaComoAGente com certeza o desfecho seria ainda pior. Esse ano o torcedor Botafoguense pegou o Clube pelo braço e mostrou a saída. Orgulho de fazer parte desta reação, Zé. Não à toa sempre repito: O BOTAFOGO SOMOS NÓS!

Que 2020 renove muito mais que as nossas esperanças, Zé! Que o novo ciclo oxigene nossa direção, refeça nossos alicerces e nos devolva a alegria de seguir a Estrela Solitária. Só pedimos paz, sorrisos e ansiedade pela próxima partida. Chega de chateações e desgastes. Precisamos reviver o Botafogo da forma com que ele sempre nos preencheu: com reciprocidade e progresso. Sigamos juntos e confiantes nos bons ventos. Boas Festas, tudo de bom pra você pros seus, Zé. Sorte, saúde, sucesso E FOOOOGOOOOO!!! Sempre! Abraço, Zé!

Fonte: Nosso Colunista Zé Fogareiro