Plunct plact zum! Rafael Marques vai fazer mais um”! A música da torcida do Botafogo até hoje está na cabeça do atacante do Ventforet Kofu, do Japão. Atualmente com 37 anos, ele deu entrevista ao Canal do TF e revelou que gostaria de ter atuado no clube outra vez.

– Eu queria ter jogado novamente no Botafogo. Nunca me procuraram novamente ou sondaram. Sempre deixei bem claro que se tivesse proposta assim, boa para ambas as partes, voltaria correndo para o Botafogo, lugar que me abriu as portas no Brasil, fui feliz e me tornei um grande homem. Não teria por que não ter voltado ao Botafogo – afirmou Rafael Marques.

A declaração, porém, não foi uma cavada ou forçação de barra para retornar. Rafael Marques pretende seguir no Japão.

– Se não tivesse voltado para o Japão teria pensado em me aposentar. Por que hoje não voltaria? Não é por não gostar, gosto demais do Botafogo e gostaria de ter chegado mais longe, mas tenho um projeto aqui para jogar, família, as coisas estão bem tranquilas. Se pudesse escolher um lugar para estar hoje, seria o Japão. Dentro do meu projeto, do que planejei, hoje seria difícil voltar para qualquer lugar, seja Brasil, Palmeiras ou Botafogo – explicou.

Mágoa com Mauricio Assumpção

O que frustra realmente Rafael Marques é a saída em 2014 para jogar na China, no Henan Jianye, quando o Botafogo iria disputar a Libertadores. Ele declarou que a responsabilidade da transferência foi do ex-presidente Mauricio Assumpção.

– Vim para o Brasil depois de sete anos para jogar em time competitivo, não tinha por que voltar para o exterior, ainda mais para a Ásia, para a China. Queria continuar no Brasil, disputar a Libertadores. Roemos o osso todo, ia querer sair na hora de comer o filé? Veio a proposta da China, falei para o meu empresário que não queria. Pediram um valor, o clube aceitou. Tinha questão de diretoria e presidente não quererem minha permanência – disse.

– Parei para pensar em como ia ser estar em um lugar onde meu patrão não queria que eu estivesse. Depois de tudo que lutei em 2012 e do ano bom em 2013. Conversei com meus empresários e com a família, sabia que se ficasse teria problemas para mim. Eu sair ia ajudar na parte financeira o Botafogo, pagar alguns salários com a minha venda. Por isso que aceitei. Só não fiquei porque o antigo presidente e alguns diretores não quiseram minha permanência. Tanto que um ano depois voltei ao Brasil – lembrou.

Confira outros trechos da entrevista:

Críticas no início

– O legado que você deixa não é pelo título ou pelo gol, é pela pessoa que você é. Importante deixar as portas abertas, é o meu perfil. As críticas me ajudaram muito a crescer, refletir, fazer autocrítica. Minha chegada no Botafogo, brincando um pouco, eu cheguei de busão e o Seedorf chegou de helicóptero. Vincularam minha chegada com a saída do Loco Abreu. Quando vim para o Botafogo, falei tem grandes jogadores, Oswaldo (de Oliveira) está montando time competitivo, era o meu projeto. Estava feliz no Japão, tinha mais um ano e meio de contrato, mas queria disputar títulos e novos ares. Agradeço muito ao Botafogo por ter me aberto as portas. Se sou reconhecido hoje no Brasil é porque o Botafogo me proporcionou isso.

Quase saída em 2012 e volta por cima

– Achei que iria jogar com Seedorf e Loco Abreu. Foi um dos fatores que dificultaram, além de sete anos fora do país e readaptação, por mais que eu seja brasileiro. As coisas não iam acontecendo, não ia atuando bem. No fim de 2012 o Oswaldo (de Oliveira) falou comigo que o Botafogo não queria minha permanência e que se tivesse outra coisa eu poderia aceitar. Eu falei que não queria, sabia que ele estava apanhando por ter bancado minha contratação. Pedi para fazer a pré-temporada para as coisas acontecerem. Cheguei a treinar na terceira equipe, sabia que era ruim para mim e para o Oswaldo. Mas procurei fazer as coisas certas para colher coisas positivas.

– Fui treinando bem, os jogadores chegaram e pediram ao Oswaldo para me colocar. Ele disse que era o que estava esperando porque já me conhecia e ia me colocar para jogar. Ali as coisas começaram a acontecer. Na minha reestreia joguei bem, dei passe para gol, ganhei confiança e a torcida. Gol é consequência. Quando saiu o primeiro gol foi no último jogo no estádio (Nilton Santos) antes de ser interditado. Encaminhamos o título carioca e depois a bela campanha no Brasileiro, na qual poderíamos ter chegado mais longe não fosse a perda de jogadores durante o ano.

Gol do título carioca de 2013

– Apesar de eu já estar jogando bem e fazendo gols, ainda tinha uma parte da torcida com receio e pé atrás, mas eu já estava bem confiante. Via o carinho da maioria da torcida. Agradeço ao Lucas e ao Dória, a bola sobrou para mim. Caiu a ficha mesmo depois que acabou. Ainda teve um pênalti do Seedorf no travessão, valorizou ainda mais o meu gol. Senão o foco era todo nele. Acho que aquele momento estava guardado para mim. Estávamos muito confiante, não à toa fomos campeões direto. Agradeço muito aos meus companheiros, ao Botafogo e à torcida. Foram momentos muito importantes da minha carreira.

Confira o vídeo da entrevista de Rafael Marques ao Canal do TF:

Fonte:Redação FogãoNET e Canal do TF