O desgaste gerado pela experiência frustrada com o marfinense Yaya Touré pode ter deixado, ao menos, uma lição positiva para o Botafogo. A exposição excessiva e informações desencontradas acenderam o sinal de alerta no clube para a importância de manter o sigilo em negociações importantes, seja na contratação de atletas ou nas que envolvam o Projeto S/A. Entre torcedores, também há um movimento em prol de mais cautela no trato desses temas.

Integrantes do Comitê Gestor de Futebol do clube foram criticados por parte dos botafoguenses pela reviravolta inesperada nas negociações com o africano, que acertou com o candidato à presidência do Vasco Leven Siano. Além de Yaya, já foram divulgadas tratativas com o holandês Arjen Robben e com o nigeriano Obi Mikel, astros do futebol internacional que poderiam chegar ao clube no rastro do sucesso de Keisuke Honda.

A própria negociação com o japonês, gerou enorme ansiedade e obrigou o craque a vir a público dizer que ainda não havia se decidido, antes que o acerto fosse concretizado.

O estilo pouco discreto dos dirigentes alvinegros já serviram, inclusive, como argumento de condenação judicial. No início de março, o ex-jogador Rodrigo Beckham, acionou o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para cobrar uma dívida de mais de R$ 5 milhões do clube, que se arrasta desde 2004. O Juiz Paulo Roberto Correa, da 36ª Vara Cível, determinou a penhora da parte da renda do clássico com o Flamengo, aceitando a justificativa dos advogados do ex-atleta de que o clube mostrou ter ativos financeiros suficientes para contratar jogadores de renome internacional, como o japonês Keisuke Honda e para negociar com o marfinense Yaya Touré.

Cautela S/A

No caso do Projeto S/A, visto como única esperança da instituição se livrar da crise financeira, o receio generalizado é de que informações fora de hora afastem potenciais investidores ou aqueles que já se aproximaram do clube.

O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, um dos principais nomes do Comitê Gestor é muito solicitado para entrevistas nas mídias tradicionais e alternativas. Já o vice-presidente comercial e de marketing Ricardo Rotenberg, costuma usar o Twitter como um canal direto de contato com torcedores. Em janeiro, viveu situação constrangedora ao desmentir um jornalista sobre a contratação do volante Luiz Otávio e, minutos depois, voltar atrás e escrever que “parecia ser verdade”.

Em coletiva na última sexta-feira, o técnico Paulo Autori foi mais um a engrossar o coro e a classificar a discrição como “fundamental”, aos ser questionado sobre o planejamento do clube pós-pandemia.

Fonte:Terra