Botafogo é citado em evento de negócios sobre futebol na Europa, Pronto para virar a página

Botafogo é citado em evento de negócios sobre futebol na Europa: "Pronto para virar a página"

Advogado brasileiro Pedro Trengrouse participou de painel sobre investimento, receitas e o futuro do futebol como negócio: "Três investidores manifestaram interesse" no projeto alvinegro

Pedro Trengrouse durante a Soccerex — Foto: Divulgação Soccerex

Investimento, receitas e o futuro do futebol como negócio foi um dos temas abordados durante a Soccerex, evento importante realizado na cidade de Oieiras, em Portugal. Convidado para conversar sobre o assunto, o advogado brasileiro Pedro Trengrouse citou o movimento de profissionalização do Botafogo como caso pioneiro no Brasil.

 

A exposição do projeto na principal feira de negócios sobre futebol do mundo pode gerar frutos ao Botafogo. Como confirmou Pedro ao GloboEsporte.com, possíveis investidores mostraram interesse ainda na Soccerex.

- Todo mundo tem interesse no futebol brasileiro. O potencial é enorme! Mal terminou o painel tinha fila de gente querendo saber mais sobre essa oportunidade no Botafogo. Três grandes investidores já manifestaram interesse e pediram o prospecto do investimento.

O escritório onde Pedro é sócio está envolvido no projeto de implantação da Botafogo S/A e acompanhou o estudo elaborado pela Ernst & Young por encomenda dos irmãos Moreira Salles.

 

Confira o papo com o advogado:

 

O que de essencial pode ser destacado sobre o que foi apresentado no painel que você participou na Soccerex?

- Na última década, o futebol se tornou cada vez mais popular entre os investidores internacionais. Com o mercado de direitos mostrando sinais de estagnação, novas estruturas de competição em discussão e novas oportunidades de receitas por meio de atividades como apostas esportivas, o cenário dos negócios de futebol está mudando e, neste painel da Soccerex, especialistas globais em negócios e finanças do futebol analisaram o futuro dos negócios do futebol, geração de receita e investimentos públicos e privados para indicar como será o novo cenário e como isso afetará o investimento futuro no futebol.

Em um momento da conversa, você cita o movimento de profissionalização do departamento de futebol do Botafogo...

- Falei do Botafogo para mostrar que o Brasil está amadurecendo e um dos sinais é justamente a disposição de um clube com a tradição do Botafogo em profissionalizar 100% a gestão com a captação de investimentos privados. Geralmente, clubes brasileiros buscam investimentos, mas querem continuar participando da gestão.

- Foi assim com a ISL, o Nations Bank, a Parmalat, o Hicks Muse etc. Além da insegurança jurídica do atual ambiente regulatório do futebol brasileiro, essa interferência de estruturas amadoras na gestão é um dos principais motivos que dificultam investimentos nos clubes brasileiros.

 

"O Botafogo está pronto para virar essa página".

 

Como você vê o atual momento do futebol brasileiro? Não só o Botafogo enfrenta dificuldades...

- A profissionalização é a chave, com certeza, mas no Brasil é preciso mudar o ambiente regulatório urgentemente. É preciso reconhecer que clubes são diferentes entre si. Um clube de várzea não pode ter o mesmo tratamento que um clube que fatura R$ 600 milhões/ano. O futebol profissional brasileiro precisa de legislação que permita e incentive o profissionalismo e a boa gestão. Até hoje o processo legislativo sempre foi influenciado pela situação de clube A ou B.

- A questão é estrutural, não é conjuntural. Clubes organizados como associações sem fins lucrativos, que porventura estejam bem geridos hoje, correm riscos a cada eleição. O próprio Real Madrid sentiu isso na pele quando o Florentino Perez deixou a presidência pela primeira vez e teve que voltar para colocar a casa em ordem.

- Na gestão de um clube associação, os dirigentes não têm nenhuma responsabilidade patrimonial e isso traz insegurança jurídica para planejamento e investimentos de médio e longo prazo. Numa empresa, os sócios respondem com seu patrimônio pela gestão e esse é o maior incentivo a bons resultados. Há uma globalização do investimento no futebol, e o Brasil está perdendo o bonde da história.

- Chineses já possuem participac?a?o em 12 clubes de primeira divisa?o das cinco principais ligas Europeias. Um terço do investimento nos clubes europeus e? de americanos e um quinto e? de chineses. Americanos detêm quase metade do capital dos clubes ingleses e um terço dos italianos. O grupo econômico que controla o Manchester City tem investimento em nove clubes espalhados pelo mundo e acaba de comprar um no Uruguai.

 

"O Brasil é o maior exportador de jogadores de futebol do mundo e não está recebendo investimento nenhum. Será que ninguém se pergunta o por quê?"

 


Escudo do Botafogo foi incluído no programa oficial do evento, um posicionamento da área de marketing do clube — Foto: Reprodução

Você faz parte do grupo que estuda a implantação da Botafogo S/A? Quais as etapas para que isso se torne realidade o mais breve possível?

- Meu sócio Vantuil Gonçalves cuida de várias questões relacionadas ao Botafogo e acompanhou todo o trabalho da Ernst & Young para modelar esse conceito para investimento no clube. O próximo passo agora é o Botafogo intensificar a prospecção e as conversas com possíveis investidores. Espero ter ajudado ao dar visibilidade mencionando essa oportunidade na Soccerex.

Em sua opinião, o que é preciso ser feito para que investidores se sintam atraídos pelo projeto?

- Os dois principais pontos são: potencial de retorno e segurança jurídica. Ambos estão presentes no conceito desenvolvido pelo Botafogo. Agora é entrar em campo e prospectar investidores. O Botafogo tem a chance de ser o primeiro clube do Brasil a surfar na onda de globalização do investimento no futebol mundial, reforçando a vocação de estrela solitária conduzindo os demais.

 

FONTE: GLOBO.COM