Única mulher na comissão, auxiliar foca em melhorar preparo físico das jogadoras do Botafogo

 Única mulher na comissão, auxiliar foca em melhorar preparo físico das jogadoras do Botafogo


Ana Clara Vale, de 24 anos, vê futebol feminino em alta e crê que modalidade tem muito a evoluir nos próximos anos: "Temos que melhorar a qualidade para transformá-las em atletas"

Ana Clara Vale viu o futebol feminino crescer de "forma estratosférica" nos últimos meses. Única mulher na comissão técnica da equipe feminina do Botafogo, a auxiliar de 24 anos crê que a modalidade ainda tem muito a evoluir. Melhorar a qualidade é o foco da profissional alvinegra.

- Eu vi o futebol feminino crescer nos últimos meses de uma forma estratosférica, tanto com mobilização da sociedade como com mobilização das atletas. A tendência é aumentar a quantidade de meninas buscando o esporte. Então temos que melhorar a qualidade para transformá-las em atletas, fazê-las pensarem que podem ter uma carreira promissora como jogadoras de futebol.

Ana Clara (de azul, no centro da imagem) foca em trabalho físico com as alvinegras — Foto: Emanuelle Ribeiro/GloboEsporte.com

No clube há dois meses, Ana Clara trabalha com o time adulto, mas também orienta as categorias de base. Bacharel em Educação Física e mestranda em Ciências Biológicas pela Uerj, a auxiliar supervisiona o trabalho de preparação física das meninas em General Severiano. O objetivo da profissional é aumentar a força e intensidade do elenco.

- A gente vê na verdade que tem um déficit muito grande de intensidade. Elas mantêm um nível de intensidade inferior ao esperado. Falta um pouco mais de explosão, potência, aceleração. Esse trabalho que estamos fazendo é para elas ganharem força, desenvolverem a potência, mas também para que consigam manter um alto nível de intensidade por mais tempo.

 

Em 2019, as gloriosas vão disputar o Brasileiro Sub-18, o Carioca Sub-17 e o Carioca adulto. O time sub-18 participará também de uma competição no Chile no fim do ano.

 

Com experiências nas categorias de base da equipe do Barra da Tijuca e com o remo e basquete do Flamengo, Ana Clara assumiu no Botafogo o principal desafio da carreira e está confiante em uma resposta positiva das alvinegras ao trabalho realizado pela comissão.

- Acho que dá para chegarmos num nível bom de competitividade nos campeonatos. Tudo depende principalmente das meninas. Quanto à estrutura, a gente tem tudo, temos que agradecer ao Botafogo, que realmente comprou o projeto. Está sendo um trabalho prazeroso, agora depende da gente.

Ana Clara Vale em trabalho realizado em General Severiano — Foto: Arquivo Pessoal

 

Fala, Ana Clara:

 

Única mulher na comissão técnica

- Fiquei muito feliz com o convite, e fico feliz em ver as meninas ocupando espaço não só dentro de campo, mas nas comissões, porque isso faz diferença no trabalho. Quase metade da equipe que trabalho hoje jogou comigo. Tive a oportunidade de conhecê-las há muito tempo.

 

"Sinto que elas têm uma confiança muito grande no trabalho, são muito pró-ativas".

 


No campo, Ana Clara orienta atividade de condicionamento físico — Foto: Emanuelle Ribeiro/GloboEsporte.com

Trabalho forte a partir de agosto

- A apresentação do adulto vai acontecer em agosto, então iremos fazer várias avaliações... De padrão de movimento, estamos também tentando parcerias com laboratórios para fazer teste de força. Agora, a gente está fazendo um trabalho base, iniciando a questão da educação, trabalhando os padrões de movimento para elas chegarem familiarizadas com esse trabalho no momento de avaliações. O trabalho mais forte começa mesmo em agosto.

Metas

A gente espera sempre que o nível melhore. É muito difícil alcançar um teto, a gente sempre consegue melhorar. Mas esperamos que até o final de agosto e início de setembro, elas já tenham intensidade suficiente, porque já tem o Campeonato Carioca.

 

"Um dos nossos focos é o estadual, onde queremos pelo menos chegar na final. É o objetivo à curto/médio prazo".

 

Copa do Mundo feminina

As mulheres têm conquistado espaço dentro e fora das quatro linhas. A questão da Copa do Mundo feminina ter sido televisionada pela Globo e SporTV facilitou esse processo de as pessoas verem e apoiarem. O resultado não teve tanto barulho quanto a luta em si. Foi bem legal, e acho que tem tudo para continuar nesse nível. As pessoas incentivando e comprando a ideia. Isso facilitou também um número grande de meninas ter vindo em busca do projeto. Está tendo o quantitativo, agora temos que trabalhar com o qualitativo.

 

FONTE: GLOBO.COM